Há um bom tempo atrás coordenei um curso de pós-graduação em Logística Empresarial, na ULBRA em Canoas (RS). Era um dos primeiros cursos de logística empresarial do país, tendo a primeira turma iniciado no ano de 1997.
Achei muito interessante o que ocorreu na turma seguinte. Havia três militares na turma, todos oficiais: um da Aeronáutica e dois do Exército.
Após a aula do primeiro dia, chamei-os para uma conversa e questionei a sua presença no curso, ao que me responderam que a os métodos e técnicas de logística evoluíram muito no meio empresarial e queriam aprender sobre estas técnicas e adaptá-las ao meio militar.
Os valores intrínsecos ao objetivo da logística militar são muito diferentes da logística empresarial. A logística militar tem por objetivo apoiar as ações de conquista e defesa de territórios e a logística empresarial trata de apoio a conquista e defesa de mercados.
Os valores da logística militar dizem respeito a sobrevivência de uma nação e a logística empresaria à sobrevivência de uma empresa e/ou cadeia.
Embora com valores e objetivos diferentes as duas logísticas acabam por ter uma correlação de métodos. Fiquei honrado, afinal de contas a logística objetiva surgiu no meio militar e estava eu a ensinar quem criou as bases da logística. Mas hoje é tempo de retornar aos ensinamentos da logística militar e adaptar alguns métodos que podem ser muito úteis ao meio empresarial.
A atual contenda em torno da aquisição dos caças é o mote para este aprendizado. Refiro-me a aquisição do produto vinculada a aquisição de tecnologia. A celeuma está centrada na transferência de tecnologia entre o Gripen e o Dassault (lobby a parte).
Por óbvio a aquisição é altamente sensível quanto a transferência de tecnologia como parte do domínio sobre um armamento de tal importância. Isto faz parte da logística de serviços (utilização), do equipamento.
Penso que o mesmo método aplicado pelo meio militar do país em relação a logística de serviços das aeronaves, deva ser replicado no que tange a tecnologia de infraestrutura de logística, bem como seus veículos e equipamentos no meio empresarial.
O Brasil possui uma boa parte desta tecnologia, mas ainda existem alguns pontos que podem ser aprimorados. Recentemente li na Newslog sobre a importação de trilhos para expansão do trem metropolitano de Porto Alegre.
Será que a tecnologia para confecção de trilhos para trens de média velocidade é tão sensível que não a possuímos, ou será falta de economia de escala para viabilizar a produção? Não esquecendo que em se tratando de concorrência pública, o preço é forte componente de decisão.
Mas não é só este aspecto que nos faz dependente de tecnologia estrangeira. Os barcos que realizam dragagem são estrangeiros, assim como equipamentos de controle de espaço aéreo, bóias de sinalização a laser, entre outros produtos que poderiam melhorar a fraca performance do nosso sistema logístico de transportes.
Claro que existem outros pontos que devem ser atacados e que não exigem um esforço aparente, como por exemplo o alto preço da praticagem nos portos, o duopólio no transporte de carga aérea, na navegação de cabotagem e o monopólio das ferrovias (mas como mencionei... “esforço aparente”).
De qualquer forma, penso que toda a aquisição de produtos relacionados a logística e que não possuímos tecnologia, seja vinculado ao repasse desta.
Por:
Mauro Roberto Schlüter IPELOG
www.ipelog.com