Os riscos de um apagão na força de trabalho pelo gargalo entre ofertas de vagas e número de profissionais disponíveis também existem na indústria.
Diante dessa constatação, especialistas e empreendedores do setor estão tomando iniciativas no sentido de minimizar os problemas e conseguir mecanismos eficientes para enfrentá-lo em prazos médios e curtos.
Diante da evidência de que é preciso agir com rapidez, o setor industrial está disponibilizando R$ 10,5 bilhões para serem aplicados na educação profissional e na ampliação de vagas na rede de ensino gerenciada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) e Serviço Nacional da Indústria (Senai).
De acordo com Rafael Lucchesi, diretor de Operações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a educação é peça-chave no futuro do país.
Para o dirigente da CNI, as diretrizes da formação profissional precisam levar em conta pontos como inovação, sustentabilidade, segurança no trabalho, gestão de qualidade e inclusão digital. Segundo ele, até o final de 2010, o país deverá ter uma demanda adicional de 400 mil técnicos em consequência da retomada do crescimento econômico do país.
Isso faz com que o programa Educação para a Nova Indústria, com iniciativas para o triênio 2007-2010, seja considerado decisivo para levar a um equilíbrio entre oferta e procura de mão de obra.
A baixa escolaridade do trabalhador brasileiro é um fator que entrava o desenvolvimento harmonioso de uma nação com boas perspectivas. Nos Estados Unidos e na Europa, a média escolar é de 12 anos.
Na Coreia do Sul, de dez anos. No Brasil, cai para apenas cinco anos. Os números servem para explicar por que ainda não conseguimos resultados melhores e somos sempre um país do futuro.
Ao desafio de ampliar a qualificação profissional soma-se a questão de localização da força de trabalho. O quadro indica um redesenho, fruto da regionalização crescente das empresas, tornando o mercado de trabalho cada vez mais nacional.
Não apenas nas grandes cidades, mas também nos pequenos municípios, será necessário o concurso de técnicos e de graduados.
Ante as dificuldades do poder público de propiciar aos alunos formação adequada, a indústria e outros segmentos estão tomando a dianteira e realizando investimentos próprios.