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12/08/2010

Postos "tabelam" o GNV a R$ 1,59

Economia

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Nota

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Recap nega que haja qualquer tipo de controle no preço do gás natural veicular em Campinas.

Consumidores que adotaram o gás natural veicular (GNV) reclamam que os postos de combustíveis de Campinas que têm essa opção estariam praticando os mesmos preços em suas bombas. Isso poderia ser apontado como um suposto cartel. Esta semana, a reportagem do Correio realizou uma pesquisa em dez postos e verificou que todos eles comercializam o metro cúbico do produto a R$ 1,59. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região (Recap) nega que haja qualquer controle ou acordo em relação ao preço praticado. “O mercado é livre. O Sindicato não monitora os preços”, afirma Caio Junqueira, diretor responsável pela área de GNV no Recap.

Já no dia a dia dos postos, os consumidores estranham a coincidência. “Há mais de um ano que eu tenho rodado pesquisando os preços do gás veicular, e percebo que o valor é igual em todos os postos. Acabo abastecendo naquele que é mais perto de casa mesmo”, diz o vendedor Ricardo Santos, que abastece seu carro uma vez por semana.

O marceneiro José Adriano de Camargo é outro que tem percorrido bairros atrás de um preço mais atrativo e só encontra algo que mais parece um tabelamento informal. “Já procurei preços menores, mas não acho. Isso é ruim para quem depende do gás”, diz. “Não acho que seja certo todo mundo adotar o mesmo preço, mas nós motoristas não temos outra opção, né?”, lamenta Edgar Batista, operador de produção. Ele abastece seu carro duas vezes por semana e costuma gastar, em média, R$ 45,00. “Quando colocava gasolina, nunca era menos do que R$ 120,00”, lembra.

O taxista João Gonçalves é mais enfático: “Não dá para escapar desse preço em Campinas. Isso é péssimo para todos nós.” Ele gasta R$ 18,00 por dia com o GNV. Na contramão da opinião geral, o também taxista Vanderley Firmino considera positivo o preço “tabelado”. “Isso evita o abuso na cobrança, que é o que está acontecendo agora com o álcool, por exemplo.” O preço do álcool nos postos da cidade tem variado nas últimas semanas entre R$ 1,40 e R$ 1,49.

Em um posto de combustível no Jardim do Lago, o funcionário Eduardo Timóteo explica que a semelhança de preços pode ser uma “coincidência”. Para Paulo Henrique Souza, gerente de posto na Chácara da Barra, a semelhança é motivada mais pela concorrência do que por um suposto consenso no setor. “Um segue o preço do outro mesmo, mas nada é combinado.”

A reportagem procurou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do Ministério da Justiça, em Brasília (DF), mas não encontrou qualquer tipo de denúncia formalizada sobre o assunto. O mesmo ocorreu no Ministério Público Estadual (MP). Em cinco postos pesquisados em São Paulo, foi possível constatar que o preço do GNV na Capital varia entre R$ 1,39 e R$ 1,49 o metro cúbico.

Prejuízos - O diretor do Recap argumenta que, depois de um período de euforia em relação ao GNV, ocorreu uma retração do mercado. “Do final de 2007 para cá, o setor teve uma redução de 50%. Empresários fizeram grandes investimentos para adequar seus postos e essa retração gerou enormes prejuízos”, explica Junqueira. A reportagem apurou que alguns pontos investiram valores superiores a R$ 1 milhão na estrutura para o GNV.

Outro detalhe que pegou em cheio o bolso dos consumidores é a demora do retorno do investimento feito nos veículos. No lançamento do GNV, o gasto com a instalação do kit-gás poderia ser ressarcido em um período médio de oito meses. Hoje, esse mesmo retorno pode levar até dois anos para ocorrer.

Visando dar uma maior competitividade ao gás vendido por aqui, representantes do Sindicato de Campinas e região têm uma reunião marcada para hoje, com a direção da Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp), autarquia veiculada à Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo. O objetivo é discutir a normatização do gás que está sendo vendido pela Petrobras nos leilões de curto prazo. Os produtos leiloados são as sobras de contratos firmados pela estatal com distribuidores pelo País e o material que não foi utilizado por usinas termelétricas. Na prática, os empresários querem acesso a um maior volume do produto por um preço melhor e, assim, reduzir os valores cobrados nas bombas.

Varejista compra produto a preço único, diz Comgás - A assessoria da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), que distribui o gás natural veicular (GNV) em Campinas, afirma que, em nenhum momento, pratica qualquer tipo de controle em relação aos valores cobrados nos postos de combustíveis em quaisquer das áreas de sua abrangência no Estado. O produto é vendido aos varejistas com um preço único — tudo acompanhado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia (Arsesp) — e, a partir daí, o mercado tem liberdade para definir quais preços praticar. Atualmente, o valor do metro cúbico do gás vendido aos postos pela Comgás está estipulado em R$ 1,08.

Para Richard Nicolas de Jardin, gerente de vendas da área automotiva da Comgás, o setor realmente tem vivido uma retração, e é preciso buscar ações que tornem o produto mais competitivo no mercado e que façam as pessoas procurá-lo, gerando redução de preços. Segundo ele, é preciso, por exemplo, que hajam instrumentos legais para que empresas como a Comgás possam buscar o produto de uma maneira a oferecer preços mais baixos aos consumidores. “Nossa expectativa é extremamente positiva em relação à produção do pré-sal”, aponta o gerente.

Saiba mais - Cartel é um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou quotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação. Cartel, além de ser um ilícito administrativo, é crime punível com pena de 2 a 5 anos de reclusão ou multa, nos termos da Lei n 8.137/90.

Quanto custa - O GNV nos postos pesquisados pela reportagem:

Em Campinas: Posto da Norte-Sul (Shell) — R$ 1,593; Posto Laurão (Ipiranga) — R$ 1.599; Posto Prestes Maia (Shell) — R$ 1,590; Posto Jardim do Lago (Ale) — R$ 1,597; Posto Barão de Itapura (Shell) — R$ 1,599; Posto Parque Via Norte (Ipiranga) — R$ 1,599; Posto Jardim Santa Mônica (BR) — R$ 1,599; Posto Distrito Industrial (Ipiranga) — R$ 1,599; Posto Jardim das Bandeiras (Ipiranga) — R$ 1,599; Posto de Barão Geraldo (Esso) — R$ 1,599

Em São Paulo - Alto da Lapa: Extracar Auto Posto (Ipiranga) — R$ 1,499; Brás - Auto Posto Quebéc (Esso) — R$ 1,399; Ipiranga - Auto Posto Nossa Senhora do Líbano (Ale) — R$ 1,399; Lapa - Auto Posto Center Lapa (Ipiranga) — R$ 1,499; Água Branca - Posto Ponto Quente (Shell) — R$ 1,399

 

Por Correio Popular - SP

 

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