Embora defendam que a estrutura de atendimento da CET deva ser ampliada, especialistas em trânsito e transportes ouvidos pela Folha vêm poucas alternativas para que o tempo de interrupção das vias por acidentes e quebras de veículos seja menor que o atual.
No entanto, uma idéia vista como saída para diminuir o número de quebras é que a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) passe a cobrar pela remoção de veículos quebrados por falta de manutenção que interrompem as vias.
"A quebra deveria ser considerada infração de trânsito. Quebrou no meio da rua? É multa, meu amigo", diz o consultor de transporte e logística Vernon Kohl. A medida, diz Kohl, exortaria o motorista a manter a manutenção do veículo em dia. "A solução não é resolver o acidente depois que ele acontece, mas criar mecanismos para inibi-lo." Quanto à possibilidade de que a medida viesse a gerar uma "fábrica de multas", Kohl minimiza. "Não acho que aconteceria. Pelo contrário: resolveria a "indústria da infração" que existe hoje." Atualmente, o Código Brasileiro de Trânsito só responsabiliza o motorista por parar no meio da rua nos casos de falta de combustível.
Outro defensor de que a lei seja estendida às quebras por má conservação, o consultor Flamínio Fichmann diz que a CET muitas vezes "faz serviço de oficina, de empurrar carros quebrados", e por isso deveria cobrar "taxa administrativa". Para Fichmann, além de ter poucos agentes, a CET subutiliza a mão-de-obra que possui ao destacar pessoal capacitado para atividades essencialmente mecânicas -como, por exemplo, a colocação e retirada diária de cones de sinalização em faixas reversíveis.
Diante das limitações de pessoal e de equipamentos, a má aplicação dos recursos -como a solicitação precipitada de guinchos- é "um erro absolutamente sanável", diz o consultor de tráfego Elmir Germani. "Imagina quantas vezes por dia isso acontece? Esses problemas podem ser sanados com treinamento [do agente] e uma caixa de ferramentas." Os três especialistas consideram o corpo de atendimento da CET razoável. Como solução para os congestionamentos, eles apontam medidas macroestruturais como a inspeção veicular e o pedágio urbano -medida que, embora negada com veemência pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) em entrevistas, é discutida em conferências sobre o tema por técnicos da gestão.
"A razão [da lentidão do trânsito de São Paulo] é o número de carros que a cidade tem recebido [mais de mil novos por dia]. É preciso cobrar pelo uso das vias", diz Germani.