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06/12/2017

Futuro é elétrico também para os caminhões

Tecnologia

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A eletrificação é um caminho que já está sendo trilhado pelos automóveis há algum tempo. Em outros países, em especial nos europeus, já há grande oferta de modelos de propulsão verde e infraestrutura de recarga. Parece natural, então, que essas tecnologias estejam começando a chegar aos veículos pesados: vários fabricantes têm apostado que o futuro do transporte rodoviário de carga também será movido por baterias e motores elétricos.

 
A Mercedes-Benz é um exemplo disso: enquanto sua subsidiária de automóveis já conta com uma gama de modelos elétricos e híbridos, a divisão de caminhões vende normalmente, na Europa e na América do Norte, alguns veículos comerciais leves de propulsão verde. No ano passado, a empresa deu um novo passo ao apresentar, ainda como veículo conceitual, o E-Truck, um caminhão pesado movido unicamente por eletricidade.
 
Desenvolvido com o objetivo de fazer entregas em centros urbanos, o E-Truck tem Peso Bruto Total (PBT) de 26 t e autonomia de aproximadamente 200 km. Neste ano, algumas empresas alemãs já começaram a receber as primeiras 150 unidades: o número limitado é para avaliar o comportamento do veículo em uma situação real de funcionamento. Com o tempo, a Mercedes vai fabricar mais unidades e entregá-las a operadores de outros países.
 
Outra empresa que está apostando na eletrificação é a fabricante de motores Cummins, que apresentou neste ano, nos EUA, seu primeiro protótipo de caminhão com propulsão 100% verde. Batizado de Aeos, o cavalo mecânico com tração 4x2 tem PBT de 33,7 t e capacidade para conduzir quase 20 toneladas de carga, e pode ser utilizado para transporte rodoviário, entregas urbanas e atividades portuárias. Na configuração básica, o modelo tem autonomia de 160 km, mas há uma versão com raio de ação maior, capaz de rodar 482 km. A recarga da bateria dura uma hora, mas a empresa pretende baixar esse tempo para 20 minutos até 2020.
 
A Cummins planeja colocar seu primeiro motor totalmente elétrico no mercado em 2019, para equipar ônibus e caminhões de menor porte. No ano seguinte, será a vez de uma motorização híbrida.
 
VANTAGENS
Livre de poluição. Os caminhões elétricos não emitem gases na atmosfera e tampouco fazem barulho.
 
Desempenho. Os pesados verdes levam vantagem em performance. A Cummins afirma que o Aeos proporciona acelerações até 35% mais rápidas em comparação a um veículo similar com motor de 11 L ou 12 L.
 
Economia. Segundo a Tesla, o valor gasto com eletricidade pode chegar a 50% do custo do abastecimento de um caminhão equivalente movido a diesel.
 
Era do motor a combustão ainda não chegou ao fim
Apesar da tendência de toda a indústria automobilística apontar para um futuro elétrico, a transição não deverá ser imediata. Os motores a combustão ainda devem durar mais algum tempo, principalmente em mercados menos desenvolvidos como o brasileiro. Para Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive, o país precisa crescer economicamente para viabilizar novos tipos de propulsão: “Nosso mercado de caminhões está começando a se recuperar de um período de crise. As vendas precisam engrenar de novo para que as empresas façam investimentos em tecnologias”, pondera.
 
O especialista, porém, acredita na globalização dos motores elétricos a médio ou longo prazo. “Vai se tornar realidade em nível mundial. Hoje, todas as multinacionais estão desenvolvendo elétricos, e elas podem passar as matrizes com essas tecnologias para suas filiais em qualquer lugar do mundo, inclusive no Brasil. Isso, por sua vez, deve desenvolver fornecedores locais”, prevê.
 
Para Garbossa, porém, os fabricantes de veículos elétricos ainda têm algumas limitações para superar: “O maior desafio ainda é o tamanho das baterias. O desenvolvimento de outras questões, como a autonomia, já está avançado”, conclui.
Tesla já apresentou seu primeiro veículo pesado
A Tesla, fabricante automotiva que só utiliza motores elétricos, não quer ficar de fora do segmento de transporte e já apresentou o Semi Truck. As promessas da Tesla para seu primeiro caminhão são muitas. A começar pela capacidade de rodar 800 km com uma carga de até 36 mil quilos – e outros 650 km depois de uma carga de 30 minutos em estações alimentadas por energia solar. Para isso, contribui, indiretamente, o visual futurista. Primeiro, pela questão aerodinâmica. Mas, principalmente, porque foi conquistado a partir do uso de fibra de carbono, que garante uma boa redução de peso do veículo.
 
A Tesla não informa detalhes sobre a bateria que equipa o Semi, mas ela vai da base do veículo até seu segundo nível, no espaço à frente do volante. O veículo é equipado com quatro motores iguais ao que move o Model 3, posicionados na traseira da cabine. O preço final ainda não está definido, mas o sinal para a reserva nos EUA é de US$ 5.000, cerca de R$ 16 mil. (Márcio Maio/Auto Press)
 
Modelo verde nacional entra em ação em 2018
O Grupo Volkswagen Truck & Bus, detentor das marcas Man, Scania e Volkswagen Caminhões, também está desenvolvendo tecnologias de propulsão elétrica em nível mundial. Curiosamente, um dos primeiros produtos a usar esse tipo de tecnologia surgiu pelas mãos do setor brasileiro de engenharia: trata-se do e-Delivery, um caminhão leve 100% elétrico.
 
O modelo é equipado com um motor de 109 cv de potência e 50,3 kgfm de torque. Segundo o fabricante, é possível restabelecer cerca de 30% da carga da bateria em 15 minutos de conexão com a tomada. Há ainda um freio regenerativo que recupera até 30% da energia cinética. A autonomia é de 200 km.
 
A Volkswagen Caminhões pretende produzir o e-Delivery em série, em versões de 9 t e 11 t, a partir de 2020. A partir do ano que vem, o veículo entra em uma fase de testes práticos: algumas unidades entregarão bebidas da empresa Ambev.

 

Por NTC&Logística

 

Link(s) Relacionado(s): www.transgabardo.com.br  www.rglog.com.br 

 

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