O ano de 2008 se apresenta com duas características importantes para o segmento de prestadores de serviço logístico: tendência de aquecimento da demanda por melhores serviços e ingresso de concorrentes no mercado.
Temos verificado que muitas empresas do segmento logístico estão otimistas com relação ao aquecimento do mercado em 2008 e estão buscando se adequar às necessidades que podem surgir decorrentes deste aquecimento.
No entanto, percebemos que as demandas por serviços logísticos passam por um processo de transformação. Vivemos um momento em que o mercado busca por empresas que ofereçam não só operações de transporte, manuseio, carga, descarga, controle de estoques e outras. O mercado deseja empresas que agreguem valor através da melhoria da qualidade dos serviços, possibilidades de otimização dos custos totais das operações logísticas, melhoria no relacionamento entre os elos da cadeia logística, capacidade de inovação tecnológica e processos mais ágeis e simples.
Logo, penso que o segmento de serviços logísticos deve pensar na formulação de uma estratégia mais ampla, e não apenas dimensionada para esta tendência de aquecimento esperada para este ano.
A visão imediatista, de curto prazo, pode comprometer a competitividade destas empresas e até a sua sobrevivência. Logo, é importante que as empresas do segmento logístico aproveitem este momento para refletir sobre alguns pontos que ajudarão as mesmas a pensar em sua estratégia de forma mais ampla. Proponho responder a algumas perguntas simples como: Onde queremos chegar? O que pretendemos ser? Que recursos precisarei ter para ser competitivo? Quais são meus objetivos? Que mercados quero atender?Que serviços vou oferecer? Como estes serviços agregam valor ao meu cliente?
Outro aspecto importante que as empresas devem estar atentas é a mensuração dos resultados. Em uma das empresas que trabalhei havia um quadro com a seguinte frase (desculpem, mas não havia no quadro o nome do autor da mesma): “medir é importante, pois não se melhora o que não se mede”. Pois bem, acredito muito no que esta frase transmite.
Por isso, após a definição da estratégia as empresas precisam definir os indicadores de desempenho. Vale lembrar que estes indicadores não podem ser somente indicadores financeiros (como já preconizado por Kaplan e Norton no BSC). Indicadores referentes a clientes, participação de mercado, capacidade de inovação, motivação e flexibilidade dos funcionários, prazos de resposta a clientes, acionistas e comunidade, índice de defeitos, compromisso de entrega, rentabilidade do negócio, produtividade e responsabilidade social e ambiental também precisam ser considerados.
Concluindo, não podemos esquecer que, tão importante quanto o estabelecimento da estratégia e a definição dos indicadores de desempenho, as empresas precisam investir na formação da equipe necessária para transformar em ação o que foi planejado e corrigir o rumo do que está fora das metas estabelecidas.
Como profissional de logística espero que, além do otimismo que temos observado nas empresas de logística, estas estejam pensando nas estratégias que suportem seus negócios no futuro.
Hélio Meirim –
Consultor da HRM Logística e professor universitário nos cursos de MBA, pós-graduação e graduação. hrmeirim@hrmlogistica.com.br