Grupo pioneiro, com 11 mulheres, entre elas uma gaúcha de Porto Alegre, formou-se ontem, abrindo espaço para a ala feminina no comando de caças.
A aviação militar deixou ontem de ser um reduto masculino no Brasil. Pela primeira vez na história, 11 mulheres se formaram aviadoras da Força Aérea Brasileira (FAB) - entre as quais uma gaúcha de Porto Alegre. Isso permite que as aspirantes a oficial assumam o comando de caças e cheguem ao mais alto posto da Aeronáutica em tempo de paz, tenente-brigadeiro-do-ar.
Passados 87 anos da inauguração da primeira escola de aviação militar no país, somente na manhã de ontem a tradicional cerimônia de entrega de espadas aos aviadores recém-formados uniu homens e mulheres na sede da Academia da Força Aérea (AFA), o chamado "ninho das águias", no município paulista de Pirassununga. Ao todo, foram graduados 110 cadetes aviadores.
O ministro da Defesa, Waldir Pires, e o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos da Silva Bueno, prestigiaram a histórica formatura.
- Parabéns pela coragem e pelo espírito de luta a essas meninas que se formam aqui hoje - disse Pires.
As aviadoras pioneiras ingressaram no curso da AFA em 2003, quando pela primeira vez 20 nomes femininos foram selecionados entre cerca de 3 mil candidatas de todo o país. Entre as 11 formandas que resistiram aos quatro anos de curso, o qual inclui desde disciplinas como física e cálculo diferencial até noções de sobrevivência no mar e na selva, está a gaúcha Camila Bolzan, 22 anos, de Porto Alegre.
Mulheres poderão alcançar o mais alto posto da FAB Egressa do Colégio Militar de Porto Alegre, filha de uma confeiteira e de um operador de computadores, a jovem se classificou em 15º lugar apesar de até então jamais haver embarcado em um avião e de ter decidido participar do concurso apenas um mês antes do início das provas.
Em 9 de fevereiro de 2004, a gaúcha acabou se tornando a primeira mulher a participar de um vôo de instrução da FAB, acompanhada por um instrutor. Nos meses seguintes, aprendeu a pilotar aviões de instrução básica como o T-25 Universal e o T-27 Tucano.
Conforme a assessoria de comunicação da Aeronáutica, a formatura garante às aviadoras seguir toda a carreira da aviação militar. Isso inclui o mais alto posto da FAB, de tenente-brigadeiro-do-ar.
A próxima etapa no caminho das pioneiras será passar cerca de um ano fazendo um curso complementar em Natal, no Rio Grande do Norte. Em agosto de 2007, as atuais aspirantes serão promovidas a oficiais no posto de segundo-tenente. Novos cursos de instrução permitirão que assumam o controle de caças supersônicos, até hoje restritos ao imaginário masculino. Para aviadoras que derrubaram o obstáculo do preconceito, superar a barreira do som não deve ser problema.
(
marcelo.gonzatto@zerohora.com.br )
Vôo feminino 1982 - Começa inclusão de mulheres na Força Aérea, mas só no Corpo Feminino da Reserva da Aeronáutica
1990 - O Corpo de Oficiais da Ativa da Aeronáutica também passa a receber mulheres
1996 - A Academia da Força Aérea admite mulheres no Curso de Formação de Oficiais Intendente, para serviços de logística e administração
2003 - Primeiro grupo de 20 cadetes femininas começa o Curso de Formação de Oficiais Aviadores, em Pirassununga (SP)
2006 - Forma-se a primeira turma de mulheres aviadoras da FAB

As aviadoras da FAB (a gaúcha é a primeira à direita na foto em que foram recebidas pelo presidente Lula na terça-feira) resistiram a quatro anos de curso
Foto(s): Ricardo Stuckert, ABR/ZH

A gaúcha Camila Bolzan integra turma
Foto(s): Genaro joner, Banco de Dados/ZH - 07/02/2003