SÃO PAULO - O mercado brasileiro de caminhões pesados deverá voltar já neste ano aos patamares vistos antes da intensificação da crise financeira, enquanto no exterior a demanda por esse veículo deverá ter, na média, uma recuperação mais lenta, segundo os cálculos dos diretores da Scania.
A empresa prevê vendas da ordem de 40 mil caminhões pesados no país até o final de 2010, o que superaria tanto o volume de 31,6 mil unidades do ano passado como a marca de 39,48 mil veículos de 2008, período que não foi totalmente atingido pela crise e tido como um "ano extraordinário" pelos executivos da empresa.
A projeção - que engloba todas as montadoras - reflete a tendência de crescimento da economia, sobretudo do agronegócio, um dos principais consumidores desse veículo.
A Scania também prevê impactos positivos de investimentos em infraestrutura, como os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que puxam o consumo de caminhões usados nessas obras.
No longo prazo, a empresa ainda vê a Copa do Mundo e as Olimpíadas como eventos capazes de estimular a demanda por ônibus, outro veículo produzido pela montadora.
"A necessidade de transporte no país será enorme", disse o diretor-geral da Scania no Brasil, Christopher Podgorski, durante a apresentação dos números da fabricante de veículos pesados no Brasil.
Juntamente com a recuperação interna, a montadora sueca aguarda uma melhora de mercados importadores dos veículos produzidos no Brasil.
Na Argentina, por exemplo, a empresa vê potencial de exportações de 2 mil unidades (entre caminhões e ônibus), embora a previsão seja exportar 1,5 mil unidades ao país neste ano. Para Chile e Peru, devem ser exportados um total entre 700 e mil unidades.
Assim, espera-se que a produção voltada ao mercado externo na fábrica de São Bernardo do Campo chegue a 30% do total, dos atuais 20%.
A expectativa da Scania é retornar aos níveis de vendas registrados em 2004 ou em 2005, quando foram comercializados, respectivamente, 14,85 mil e 17,28 mil caminhões e ônibus - somando mercado interno e exportações.
No ano passado, o Brasil foi destaque no balanço da empresa e ajudou a compensar as perdas em outras regiões. Com vendas de 8,32 mil caminhões no país, o mercado brasileiro marcou o maior volume do grupo em todo o mundo. A liderança brasileira também se deu nas vendas de ônibus, motores e peças da empresa.
A diferença do desempenho brasileiro com o de outros mercados é tão grande que o diretor-geral da Scania na América Latina, Sven Harald Antonsson, disse hoje que o país parece estar em "outro mundo".
Por outro lado, o executivo aponta que, apesar dos sinais de retomada na Ásia, as condições do mercado mundial de caminhões permanecerão duras em 2010, especialmente na Europa.
"Nossa percepção é de que a recuperação dos mercados de caminhões pesados, principalmente na Europa, vai demorar bastante tempo para se aproximar dos níveis vistos antes da crise", disse Antonsson, durante entrevista coletiva.
Apesar disso, o executivo destacou que a Scania nunca esteve tão bem posicionada para crescer com rentabilidade e para sair da crise como uma empresa "sólida e comprometida com seus valores".
Nesse ponto, ele disse, que apesar do recuo nas vendas, a empresa foi eficaz nos cortes de custos e conseguiu fechar 2009 no azul, marcando lucro de 109 milhões de euros.
(Eduardo Laguna | Valor)